Segurança
Assassino de Francine pode ser julgado por latrocínio
Defesa alega que crime foi de homicídio e pede que Márcio dos Santos Salgado seja julgado pelo Tribunal do Júri
Márcio dos Santos Salgado, de 34 anos, conhecido como “Gauchinho”, assassinou Francine da Silva Peres, de 21 anos, no final da tarde do dia 16 de maio deste ano, dentro da casa da tia dela, no bairro Erechim, em Arroio do Silva. Em torno de meia hora antes, o criminoso invadiu outra residência, também no bairro Erechim, onde foi flagrado pelo proprietário tentando praticar o crime de furto e fugiu, se escondendo dentro da casa onde Francine estava se preparando para tomar banho e em seguida ir para a faculdade de Fisioterapia, que fazia em Criciúma.

A vítima foi atacada a facadas por Gauchinho na frente do banheiro e, após o homicídio consumado, o marginal roubou pertences da casa. Na sequência, uma tia e uma prima de Francine chegaram na residência e também foram rendidas. Gauchinho mandou que elas ficassem quietas e fugiu pouco tempo depois.
A denúncia do MP, bem como o Inquérito Policial (IP), entende que o crime foi de latrocínio, pois para o delegado responsável pelo IP e para o promotor Gabriel Ricardo Zanon Meyer, Gauchinho matou para roubar, neste caso o crime é julgado por um juiz de Direito e a pena varia de 20 a 30 anos. Já o professor e advogado criminalista, Diego Campos Maciel, defensor do réu, entende que Gauchinho praticou crime de homicídio e pede para que ele seja julgado pela população no Tribunal do Júri, no caso de homicídio qualificado a pena varia entre 12 e 30 anos. Tanto o latrocínio, como o homicídio qualificado são considerados crimes hediondos.
De acordo com o advogado, a casa onde Francine foi assassinada, estava com a porta entreaberta e seu cliente entrou para se esconder, pois estava sendo perseguido pelo arrombamento anterior. “Meu cliente estava fugindo de outro crime que ele praticou, visto que aquela vítima estava em perseguição com arma de fogo e o “Gauchinho” adentrou na residência onde Francine estava, com intuito de se esconder e não de roubar.
Só depois que “Gauchinho” matou Francine, que ele viu os objetos na casa e resolveu pegar. A intenção dele não era de praticar nenhum crime patrimonial, mas sim se esconder, ele acabou matando Francine, porque ela não obedeceu aos comandos dele para ficar inerte e em silêncio e, logicamente, ele ficou com medo de ser descoberto por aquela outra vítima que estava armada e que até efetuou disparos na rua”, disse.
O promotor Gabriel preferiu não se manifestar e disse que suas alegações já estão no processo. Ele falou apenas que entende que não há outra possibilidade de denúncia, que não seja pelo crime de latrocínio.
O processo está na fase da sentença. Se a decisão judicial for pelo crime de latrocínio, a pena será aplicada na sentença, se a decisão for pelo crime de homicídio, o processo será remetido ao Tribunal do Júri, para ser julgado pelo conselho de sentença. Qualquer uma das decisões judiciais cabe recurso, tanto para a defesa quanto para a acusação.
Francine deixou um filho de dois anos, ela morava com a mãe e o menino no bairro Areias Brancas, também em Arroio do Silva. Gauchinho foi preso em flagrante pela Polícia Militar, logo após o crime, ele tem várias passagens no Rio Grande do Sul, seu estado de origem. Já na delegacia, o assassino confessou outro crime de homicídio, cometido em Arroio do Silva, alguns dias antes contra Joelcio João Inácio, de 50 anos, de alcunha Neném Sem Perna.
Na noite do dia 30 de maio, depois de remetido ao Presídio Regional de Araranguá, “Gauchinho” e um colega de cela foram acusados de tentativa de homicídio contra Anderson Magno Candido de Souza, de 23 anos, que havia sido preso um dia antes, por força de mandado de prisão da justiça de São Paulo.






