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Polêmica envolve Ciretran, polícia civil e moradores de loteamento
Moradores do loteamento universitário, em Araranguá, chamaram a reportagem e denunciaram a problemática
Os moradores do loteamento Universitário, localizado na divisa entre os bairros Divinéia e Lagoão, em Araranguá, estão revoltados com a realização de treinamentos e testes de autoescolas – acompanhados pela Polícia Civil, que testa condutores de caminhões candidatos à CNH, categoria ‘E’, dos 15 municípios da Amesc.
Acontece que, segundo os moradores, diariamente os veículos estão lá e realizam esses testes, porém, deixam marcas negativas, entre elas estragos nas vias do loteamento.
Conforme Clésio Kruger, proprietário do loteamento, a situação é complicada. “Esse problema se arrasta há mais de cinco anos. As autoescolas estão acabando com o loteamento, estragando o calçamento, quebrando a parte pluvial e realizando a obstrução do trânsito. A situação é muito delicada. Hoje eles usam e abusam. Nós tentamos conversar com todos os envolvidos, mas não adiantou de nada”, disse.
De acordo com um dos moradores do loteamento, Adolfo Dalpont, é lamentável a situação. “Eu moro bem próximo do trecho utilizado pelos motoristas em testes. Eles obstruem a nossa rua e os moradores muitas vezes querem sair ou entrar em suas residências e são impedidos pelos caminhões. Algumas vezes já fomos hostilizados por reclamar sobre essa situação aos instrutores de autoescola”, afirmou.
Além de causar dano no patrimônio público, os treinamentos e testes no local também causam medo entre os moradores. “Eles estragam todo o nosso loteamento. Nos últimos dias eu estava em casa, minha menina brincava aqui na frente, de bicicleta, e quando eu vi um barulho, era uma carreta fazendo baliza. Isso é um absurdo”, falou Eliza da Silva, moradora há seis anos.
Delegado regional explica
Nossa reportagem procurou o Delegado Regional, Diego De Haro – já que a Polícia Civil realiza os testes de aprovação dos condutores da categoria ‘E’ no local -, que afirmou que o local é público. “O local é público e podemos utilizar, como qualquer outro cidadão”.
Questionado sobre a escolha do local, De Haro afirma que a equipe procurou um trecho adequado. “A Polícia Civil e o Ciretran procuram um local seguro para a realização do teste, já que os motoristas estão em treinamento. No Centro não é possível realizar devido ao grande fluxo de veículos e pedestres, há o risco de acidente e até mesmo um atropelamento. Naquele loteamento, é realizada apenas a manobra de estacionamento. Fomos para lá para garantir a segurança viária dos cidadãos”.
Quanto à destruição do calçamento, Diego explicou que o setor de trânsito de Araranguá sabe da situação. “Sobre a questão do calçamento, das lajotas, nós fizemos contato com o Departamento de Trânsito de Araranguá, que nos informou que não existe nenhum impedimento para a realização dos testes. Nós solicitamos que fosse eventualmente feita a manutenção da lajota danificada, já que qualquer carro pode destruir e quando isso acontece normalmente é a prefeitura que arruma”.
São no máximo quatro testes por mês, há 500 metros das residências, disse De Haro. “Nós compreendemos a preocupação das pessoas com o seu bairro. Mas essa é uma necessidade pública, por questão viária, de sinalização entre outros motivos. Quanto à presença de autoescolas no local, nossa delegacia regional não é a responsável”.
A responsabilidade não é nossa
O diretor do departamento de Trânsito de Araranguá, Geraldo Mendes afirmou que a via é pública. “Hoje a via é pública, não recebemos nenhum pedido para a realização de testes ou de treinamentos lá. Diversas vezes o proprietário veio nos procurar e nós afirmamos que essa questão tem que ser resolvida junto à Delegacia Regional. Falamos que ele deveria protocolar um pedido no órgão, pois não temos responsabilidade sobre as autoescolas”.
Sobre melhorar o calçamento, Mendes disse que o departamento não realizará a manutenção. “Quando um patrimônio público é prejudicado, a pessoa ou instituição que fez isso deve realizar a melhoria. Quem estraga precisa arrumar. Nós não iremos arrumar, pois não é nossa responsabilidade”.
Busca de soluções
O proprietário do loteamento, Clésio Kruger, após conversar com a reportagem junto dos moradores, foi procurado pela delegacia regional. De acordo com o delegado De Haro, o encontro foi positivo. “A conversa foi rápida, mas proveitosa, esperamos que tenhamos resultados positivos. A nossa delegacia está aberta para o diálogo, para ouvir e opinar. Nós estamos buscando um local para nos adequarmos, para que todos possam sair ganhando e ninguém prejudicado”, falou.









