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Família de Macarajá acusa hospital de Morro da Fumaça por maus-tratos a paciente
A família de um homem de 53 anos, internado para tratamento na ala psiquiátrica do Hospital de Caridade de São Roque, em Morro da Fumaça, acusa a instituição por maus-tratos ao paciente, durante seu tratamento.
Euzébio de Oliveira Nazário foi internado na última sexta-feira (07), permanecendo até quarta-feira (12). As fotos encaminhas pelos familiares ao Portal Agora mostram hematomas no rosto, ferimentos no braço, e paciente visivelmente dopado.
Revoltada com a situação, agora a família cobra explicações do hospital. Um Boletim de Ocorrência (BO) foi registrado pelo filho Aléx Machado Nazário, de 30 anos, na 1ª DP de Araranguá, por volta das 12h30min do dia 12. No BO, o filho declara “que seu pai foi entregue em uma cadeira de rodas fortemente dopado e com graves lesões, alegando que Euzébio foi espancado dentro da unidade psiquiátrica”.
Entenda o caso
Euzébio é morador de Maracajá e seus familiares o levaram até o Centro Municipal de Atendimento à Saúde (Cemasas), buscando por atendimento médico. O filho relata que após o pai contrair a Covid-19 e se recuperar, algumas sequelas foram deixadas pela doença. Euzébio deu início a um quadro de depressão – doença que já enfrentou no passado. “Quando chegou em casa, após pegar a Covid-19 e se recuperar, o pai ‘enfraqueceu a cabeça’ e até se separou da mulher”, salienta.
Preocupados com Euzébio, familiares foram procurar atendimento médico no Cemasas. A assistente social de Maracajá, Karine Dal Toé, conversou com o Portal Agora e falou sobre o atendimento de Euzébio no município. “Seu Euzébio chegou bem ao Cemasas, andando, conversando normalmente, debilitado, mas aparentemente bem. O clínico realizou o atendimento e colocou ele na sala e observação. Após isso, a família veio conversar comigo perguntando por uma clínica ou hospital que pudesse interná-lo. Eu disse que havia vários, só que não conseguiríamos colocar ele naquele dia”.
A assistente explica que leva algum tempo até que o SisReg (Sistema Nacional de Regulação) determinasse um hospital para Euzébio. Karine contou que após a família insistir pela internação, alegando que ele estava muito fraco, ela orientou que o correto seria realizar uma transferência para outro hospital, no caso o Hospital Regional de Araranguá. “Falei para a família que também havia uma válvula de escape, que seria pagar por uma consulta no Hospital de Caridade São Roque em Morro da Fumaça, onde um médico avaliaria o paciente para ver se havia necessidade de internação”.
Ainda na sexta-feira, o município de Maracajá disponibilizou uma ambulância para que a família pudesse levar Euzébio, e uma sobrinha como acompanhante para o Hospital de Caridade de São Roque. Lá, Euzébio consultou, foi avaliado por um médico e encaminhado para a internação na ala psiquiátrica.
Na quarta-feira, alguns familiares do paciente, abalados com a situação e inconformados com a falta de explicações, entraram em contato com a reportagem. O filho Aléx conta que soube da internação na sexta-feira à noite, mas que no sábado, dia 08, pediu para ver seu pai e a visita foi negada. “No sábado, eu liguei e pedi para ver meu pai, eles não aceitaram. Na terça, eu voltei e pedi novamente para ver ele, desta vez presencialmente e me foi dito que eu não podia visitá-lo por 30 dias, por conta do isolamento. Então pedi para fazer uma chamada de vídeo e também foi negado”.
Aléx relata que após negarem a chama de vídeo, comunicou o hospital que queria retirar seu pai da internação. Para a surpresa do filho, Euzébio estava irreconhecível. “Depois que eu pedi para retirar meu pai, deram um banho nele e doparam ele fortemente. Largaram ele em uma cadeira de rodas na rua e tive que pegar o meu pai sozinho”.
Revoltado, o filho contou ainda que quando foi pegar seu pai, ele apresentava hematomas por todo o rosto e sentia dores no braço. “Ele estava irreconhecível; o que fizeram com ele é um crime, não se faz nem para um cachorro”.
Após a retirada de Euzébio de Morro da Fumaça, familiares foram novamente ao Cemasas, mas na terça-feira era feriado em Maracajá, então procuraram pela assistente social do município, Karine, que acionou a ambulância do SAMU para encaminhá-lo ao Hospital Regional de Araranguá. “Os familiares chegaram em frente à minha casa com ele dentro do carro, todo machucado, debilitado e sem condições de falar, por isso acionamos o SAMU, pois não tinha condição alguma de ser levado de carro ao HRA”, afirmou a assistente social.
Ao chegar no HRA, devido ao grande número de pessoas que aguardavam atendimento, a família optou por contratar uma ambulância particular e encaminhá-lo ao Hospital São José, em Criciúma.
Hospital São Roque se nega a passar informações
O Portal Agora entrou em contato com o Hospital de Caridade São Roque, assim que foi procurado pela família que narrou o acontecido, ainda na quarta-feira, dia 12, contudo pediram que entrássemos em contato na manhã de quinta-feira (13). Após mais de 10 tentativas, a reportagem conseguiu conversar com a enfermeira responsável pela ala psiquiátrica, Aline Gomes. Por telefone ela alegou não poder falar sobre o ocorrido nos dias em que o paciente esteve internado, e que “seria antiético falar o que teria ocorrido com ele no período de internação”.
A responsável confirmou que Euzébio ficou 5 dias internado para tratamento psiquiátrico e que “a estadia dele não foi muita tranquila”. Ela também afirmou que o aconteceu com ele durante a internação só seria tratado com familiares.
Já ao ser questionada sobre a visita, Aline afirmou que nenhum paciente está recebendo visitas por conta da Covid-19.
Situação de Euzébio
Até a noite desta quinta-feira, Euzébio continuava internado no Hospital São José, em Criciúma. O filho Aléx informou que ele está se recuperando. “Ele vai ficar internado e não tem previsão de alta; ele está usando fraudas”, comentou, finalizando que já procurou por um advogado para tomar as providências cabíveis. “Me chamaram para prestar depoimento na delegacia de Morro da Fumaça na próxima segunda-feira à tarde.
O Portal Agora procurou pela delegacia de Araranguá e foi informado de que o Boletim de Ocorrência foi encaminhado para a delegacia de Morro da Fumaça, onde o fato aconteceu. As investigações também serão realizadas pela delegacia da cidade.








