Segurança
‘Queria matar o máximo’: delegado detalha motivação e reconstitui ataque a creche de Saudades
Dez dias após o ataque na creche Pró-Infância Aquarela, na cidade de Saudades, no Oeste catarinense, a Polícia Civil revelou detalhes da investigação do crime. O atentado brutal deixou cinco pessoas mortas, entre elas três bebês com menos de dois anos e duas educadoras.
Entre os destaques revelados no inquérito estão que Fabiano Kipper Mai, de 18 anos, autor do ataque, agiu sozinho. Ele foi motivado pelo ódio à sociedade em geral, sem grupos específicos. O autor comprou as armas do crime – espécie de espadas ou adagas – pela internet, e as recebeu cinco dias da chacina, pelos Correios.
O autor da chacina está no presídio regional de Chapecó, após permanecer oito dias internado no HRO (Hospital Regional do Oeste) para tratar lesões causadas por ele mesmo após o ataque, em tentativa de suicídio. Ele foi autuado em flagrante por cinco homicídios e uma tentativa de homicídio – todos triplamente qualificados.
Agiu sozinho e com consciência
De acordo com o delegado Jerônimo Marçal Ferreira, responsável pelo caso, ao ser interrogado o rapaz confessou o crime e admitiu que fez tudo planejado com antecedência, agindo sozinho.
“Ele tem consciência do que fez, isso mostra que tinha discernimento de tudo. Não há qualquer indicativo que alguém tenha lhe auxiliado”, salientou.
Ferreira destacou que o autor queria matar o máximo possível de pessoas e que agiu com pressa para chegar a esse objetivo. “Ele agiu com crueldade, frieza e covardia e tem, sim, que ser responsabilizado pelos crimes graves e cruéis que cometeu”.
Perfil do assassino: solitário ao extremo
O delegado ressaltou que o jovem era uma pessoa isolada e que tinha dificuldade de relacionamento em um nível muito acima do normal.
“A família se reunia para jantar, ele pegava o prato e ia para o quarto. Quando queria comprar uma roupa, pedia para que a mãe fizesse isso. Ele foi se isolando cada vez mais nos últimos tempos e entrou em um mundo onde começou a ter contato com materiais violentos e a alimentar esse ódio nele”.
O delegado regional Ricardo Casagrande acrescentou que com a troca de informações com outros quatro estados conseguimos impedir ações semelhantes. Às ações não tinham ligações com o fato ocorrido em Saudades, mas diante do que foi extraído dos equipamentos, conseguimos identificar que outras pessoas tinham intenções semelhantes ao jovem de Saudades. Eles permanecem sob investigação em seus respectivos estados”.
Fonte: NDMais






