Saúde
Ouvir é o primeiro passo para cuidar: a dor orofacial e o peso do estresse
Todos os dias, pacientes chegam aos consultórios odontológicos trazendo queixas que nem sempre se revelam ao exame clínico: “Doutor, minha mandíbula está travando”, “sinto uma dor que lateja quando acordo”, “minha cara parece cansada” — são relatos que, quando escutados com atenção e empatia, abrem uma porta para muito além dos dentes. A dor orofacial, por estar ligada a múltiplas estruturas, face, boca e até mesmo região cervical, exige do profissional um olhar atento e um ouvido sensível.
Infelizmente, muitas dessas dores ainda são negligenciadas ou confundidas com outros problemas. É comum que pacientes com dor orofacial sejam encaminhados de um especialista a outro (do dentista ao otorrinolaringologista, do clínico geral ao neurologista) em busca de um diagnóstico. Esse percurso cansativo pode prolongar o sofrimento físico e emocional de quem sente a dor, mas não encontra respostas.
A escuta ativa é um instrumento clínico valioso. Mais do que uma formalidade, a anamnese (a consulta inicial) é um ato terapêutico. Ao permitir que o paciente narre sua dor com liberdade, sem interrupções ou julgamentos, o cirurgião-dentista se aproxima de uma compreensão mais ampla e profunda da condição apresentada e os fatores associados. A dor orofacial não é apenas um sintoma: é uma experiência subjetiva, atravessada por fatores biológicos, psicológicos e sociais. Entre esses fatores, o estresse merece especial destaque. A vida moderna, marcada por pressões profissionais, familiares e sociais, tem gerado um aumento expressivo de casos de disfunções temporomandibulares (DTMs), apertamento e bruxismo.
Esses distúrbios, muitas vezes silenciosos, se manifestam em dores difusas na face, nos músculos da mastigação, na articulação temporomandibular (ATM) e até em dores de cabeça persistentes. Em alguns casos, a queixa inicial do paciente é dentária — “sinto dor nos dentes ao acordar” — mas, na verdade, a causa está no hábito inconsciente de apertar a mandíbula como válvula de escape para as tensões do dia a dia.
A relação entre estresse e dor orofacial é complexa, mas clara. O estresse crônico afeta o sistema nervoso autônomo, altera o padrão de respiração, tônus muscular e, consequentemente, a função mastigatória. É como se o corpo encontrasse na face um local para expressar aquilo que não consegue verbalizar. Dor ao bocejar, estalos ao mastigar, sensação de mandíbula cansada. Mesmo algumas aftas podem surgir — tudo isso pode ser o corpo pedindo socorro. O estresse, além de desencadear alterações musculares e funcionais na região orofacial, também exerce influência direta sobre o sistema imunológico, favorecendo o surgimento ou agravamento de manifestações bucais associadas a doenças sistêmicas. Condições como herpes, aftas, candidíase e até doenças periodontais, tendem a se manifestar ou intensificar em momentos de desequilíbrio emocional. Isso ocorre porque o estresse pode reduzir a resistência imunológica e alterar a resposta inflamatória, criando um ambiente propício para essas lesões se instalarem. Assim, a boca se torna um espelho do estado geral de saúde e do impacto psicológico e emocional vivido pelo indivíduo, exigindo do cirurgião-dentista sensibilidade para identificar essas conexões e atuar de forma integrada e multiprofissional no cuidado ao paciente.
A dor não está apenas nos dentes. Ela pode habitar os músculos, as articulações, a mente — e, principalmente, o silêncio. Ouvir é o primeiro passo para curar.
Quer saber mais? Entre em contato com o Dr. Juliano Barbosa da Costa, Bucomaxilo Facial e Harmonização Facial.
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