Segurança
14 de janeiro: a data que insiste em se repetir na SC-447
O dia 14 de janeiro carrega um peso silencioso e doloroso para quem vive entre Araranguá e o Balneário Arroio do Silva. Uma data que, mais do que um número no calendário, tornou-se símbolo de perdas, de alertas ignorados e de uma luta antiga que segue sem resposta, uma vez que a ciclovia ainda não saiu do papel.
Em 14 de janeiro de 2025, uma terça-feira que começava como tantas outras, o jovem Cristian Baldessar Caetano, de apenas 18 anos, saiu de casa cedo. Como fazia rotineiramente, seguia de bicicleta para o trabalho pela rodovia estadual SC-447, por volta das 7h20 da manhã, quando teve a vida brutalmente interrompida. Cristian foi atropelado por um caminhão em um trecho já conhecido pelo perigo constante.

Ele ainda foi socorrido, levado ao Hospital Regional de Araranguá e, diante da gravidade dos ferimentos, transferido para o Hospital São José, em Criciúma. A esperança resistiu por dois dias, mas não venceu. Na quinta-feira, 16 de janeiro de 2025, Cristian não resistiu e faleceu, deixando uma família em luto e uma comunidade inteira em silêncio.

Desde então, o nome de Cristian passou a ecoar junto a uma reivindicação antiga: a implantação de uma ciclovia ao longo da SC-447. Um pedido que não nasceu com a tragédia dele, mas que ganhou força com sua ausência. Um clamor reforçado por uma dura realidade: não foi um caso isolado. Outras pessoas já foram atropeladas nesse mesmo trecho. Outras vidas já se perderam. E o risco segue exposto, diariamente, para quem depende da bicicleta como meio de transporte.

Exatamente um ano depois, em 14 de janeiro de 2026, a história voltou a se repetir, quase como um cruel lembrete de que o tempo passou, mas as soluções não chegaram.
No fim da manhã desta quarta-feira, dia 14, o bombeiro militar Anderson Santana Gonçalves, de 38 anos, conhecido carinhosamente como Dandinho, também foi atropelado enquanto se deslocava de bicicleta pela SC-447, no trajeto entre Araranguá e o Balneário Arroio do Silva. Diferente do destino de Cristian, Dandinho seguia para um momento simples e familiar: almoçar com a esposa e o filho pequeno.

O impacto foi grave. Ele foi socorrido no local e encaminhado, em estado delicado, ao Hospital São José, em Criciúma, transportado pelo SAER. Em nota oficial, o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina informou que o bombeiro encontra-se sedado, sob acompanhamento da equipe médica, permanecendo em observação na UTI pelas próximas 24 horas. Após esse período, ele será submetido a nova tomografia para avaliação e controle do quadro clínico.
Duas histórias. Dois ciclistas. A mesma rodovia. A mesma data. O mesmo perigo.
A SC-447 segue sendo palco de tragédias anunciadas, onde o tráfego intenso de veículos divide espaço com trabalhadores, esportistas, estudantes e pais de família que pedalam por falta de alternativa segura. A cada novo acidente, renova-se a dor, a indignação e a pergunta que ecoa há anos: quantas vidas ainda precisarão ser colocadas em risco para que a ciclovia saia do papel?
Alerta antigo e cobrança por urgência
Mais uma vez, o acidente reacende o alerta para a urgente necessidade da ciclovia ao longo da SC-447, uma reivindicação antiga de moradores, trabalhadores e usuários da rodovia nos dois municípios. Somente na última terça-feira, dia 6 de janeiro, foi divulgado o resultado da licitação para a construção da ciclovia que ligará Araranguá ao Balneário Arroio do Silva.
O processo, conduzido pelo Governo do Estado de Santa Catarina, foi vencido pela empresa Fórmula, que apresentou a melhor proposta no valor de R$ 8.789.453,45, abaixo do orçamento inicial estimado em cerca de R$ 13 milhões. O projeto prevê a construção de aproximadamente oito quilômetros de pista exclusiva para ciclistas, ao longo da rodovia estadual.
Autorizada oficialmente no segundo semestre de 2025, a obra é considerada essencial para garantir mais segurança em um trecho marcado por acidentes frequentes e, em alguns casos, fatais. Com a definição da empresa vencedora, a expectativa é de que o contrato seja formalizado nas próximas semanas e que as obras tenham início logo após a conclusão das etapas de habilitação.
Enquanto isso, a população cobra urgência. Vidas já foram perdidas ao longo da SC-447 — e, nesta quarta-feira, mais um grave acidente reforça que a espera custa caro demais.






