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Segurança

Estuprador em série é condenado a mais de 106 anos de prisão após investigação da DPCAMI de Araranguá

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A Justiça de Santa Catarina proferiu sentença condenatória que impôs pena total de 106 anos, 1 mês e 21 dias de reclusão, em regime inicial fechado, a um homem investigado por uma série de crimes graves cometidos de forma reiterada em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. A condenação é resultado de uma investigação conduzida pela Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI) de Araranguá, vinculada à Polícia Civil de Santa Catarina.

De acordo com a Polícia Civil, o réu foi condenado por estupros, roubos majorados com uso de arma de fogo e restrição da liberdade, além de extorsão mediante sequestro, crimes praticados contra múltiplas vítimas, em diferentes datas e contextos. As ações criminosas foram marcadas por extrema violência, grave ameaça, uso de arma de fogo e, em ao menos um caso, pela administração forçada de substâncias sedativas.

Durante a instrução do processo, o Poder Judiciário reconheceu a consistência e a robustez do conjunto probatório apresentado, destacando a coerência dos relatos das vítimas, os laudos periciais, os reconhecimentos realizados e os elementos técnicos produzidos ao longo da investigação. A sentença também considerou como fator agravante o fato de que parte dos crimes foi cometida enquanto o réu já cumpria pena em outro processo criminal.

A investigação revelou um modus operandi recorrente, caracterizado pela aproximação inicial das vítimas por meio de contato prévio, seguida de privação da liberdade, violência sexual, subtração de bens e, em um dos episódios, extorsão mediante sequestro. A atuação integrada das forças de segurança, incluindo a cooperação interestadual, foi decisiva para a identificação do autor, apreensão de provas e elucidação completa dos fatos.

Em nota, a Polícia Civil reafirmou seu compromisso com o enfrentamento rigoroso da violência sexual e dos crimes cometidos contra mulheres, ressaltando a atuação técnica, responsável e sensível das unidades especializadas, sempre com respeito à dignidade das vítimas e à preservação de sua identidade.

Casos como este, segundo a delegada da DPCAMI, Eliane Chaves, evidenciam a importância da denúncia, do investimento em unidades especializadas e da resposta firme do sistema de Justiça diante de crimes de extrema gravidade. As DPCAMIs, além de atuarem como espaços de acolhimento e proteção a grupos vulneráveis, desempenham papel fundamental em investigações complexas, como crimes sexuais, feminicídios, exploração de crianças e adolescentes e delitos praticados no ambiente virtual.

Entenda o caso: investigação identificou atuação em série em SC e no RS

As investigações conduzidas pela Polícia Civil, por meio da DPCAMI de Araranguá, apuraram que o investigado D. L. S. praticou crimes de extrema gravidade de forma reiterada e sistemática, caracterizando-se como um criminoso em série, com atuação em mais de um Estado da Federação.

Ao todo, foram identificadas ao menos sete vítimas. Quatro delas estão na comarca de Araranguá, abrangendo os municípios de Araranguá e Balneário Arroio do Silva, e outras três no município de Vacaria, no Rio Grande do Sul.

As apurações tiveram início a partir de registros de ocorrências entre fevereiro e março de 2022, em diferentes bairros de Araranguá. Em todos os episódios, o investigado repetia o mesmo padrão: estabelecia contato prévio com as vítimas, comparecia aos encontros portando arma de fogo, rendia-as mediante grave ameaça, impunha restrição da liberdade por horas, praticava violência sexual e, na sequência, subtraía dinheiro, celulares e outros objetos pessoais.

Embora tenha sido comunicado posteriormente, o primeiro crime identificado ocorreu em 5 de outubro de 2021. Na ocasião, o autor entrou em contato com uma vítima em Araranguá e a conduziu até uma residência em Balneário Arroio do Silva. No local, a vítima foi surpreendida com uma arma de fogo, teve a liberdade restringida, foi amarrada e submetida a violência sexual, permanecendo sob domínio do criminoso durante toda a noite.

Durante o cárcere, o investigado passou a exigir dinheiro mediante coação, utilizando o telefone da vítima para entrar em contato com uma familiar. A irmã compareceu ao endereço indicado para entregar a quantia exigida e também foi submetida a grave ameaça, teve a liberdade momentaneamente restringida e sofreu subtração de bens. As vítimas conseguiram fugir após um descuido do agressor.

Em ao menos um dos casos, ficou comprovada a administração forçada de substância sedativa, causando sonolência intensa, confusão mental e lapsos de memória, o que ampliou a vulnerabilidade das vítimas e dificultou qualquer reação imediata.

A investigação apontou que os crimes apresentavam padrão rigorosamente semelhante, com repetição da forma de abordagem, uso de arma de fogo, restrição prolongada da liberdade, violência sexual e subtração patrimonial, além da utilização do mesmo veículo e coincidência nas descrições físicas do autor fornecidas pelas vítimas.

No curso das diligências, foram identificados outros três crimes com o mesmo modus operandi no município de Vacaria/RS, o que resultou em cooperação interestadual entre as forças policiais. O compartilhamento de informações confirmou a atuação serial do criminoso e contribuiu para a consolidação da autoria.

Após cerca de dois meses de investigação, o acusado foi preso preventivamente em Balneário Arroio do Silva, em operação conjunta da DPCAMI de Araranguá com a Polícia Civil de Vacaria/RS. No momento da prisão, ele estava de posse da arma de fogo utilizada nos crimes e de bens pertencentes às vítimas, o que também resultou em prisão em flagrante.

Na sequência, o preso foi transferido para o sistema prisional do Rio Grande do Sul, onde já cumpria pena por outros crimes com trânsito em julgado.

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