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Conselho Tutelar de Araranguá se diz abandonado pela Administração Municipal
Os cinco conselheiros tutelares de Araranguá passam por momentos difíceis, talvez, um dos mais delicados de toda a história da instituição. Abandonados em uma sede, Rosaninha, Rejane, Sidnei, Leandro e Francine, precisam conviver com problemas estruturais, falta de motorista e falta de atenção por parte do Governo do Município liderado pelo prefeito Mariano Mazzuco Neto.
Diariamente os conselheiros tutelares trabalham 24 horas, cinco durante o dia, em horário comercial e dois permanecem de plantão para atender situações em que seja constatado algum tipo de descumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), porém algumas situações vêm desmotivando o grupo.
A principal é a falta de um motorista para acompanhar os servidores. Segundo Rejane Soares, desde a gestão do ex-prefeito Sandro Roberto Maciel, eles solicitam a volta de um servidor. “A proposta era ajudar o governo do município que passava por dificuldades. Tínhamos um acordo com o Sandro de que ficaríamos sem motorista por seis meses; o tempo passou e estamos sem até hoje. Eu fui a única que votou contra a retirada do nosso colega, porém fui voto vencido”, falou.
A ausência do motorista é algo delicado. “Nós entramos em locais muito complicados e muitas vezes saímos abaladas destes locais e já fomos humilhadas. Uma vez tentaram jogar um tijolo no nosso carro e foi graças ao motorista que isso não aconteceu. Além de facilitar o nosso trabalho, garante também um pouco mais de segurança”, afirmou Rejane.
Plantões complicados
Hoje, o novo grupo de conselheiros clama por um motorista. “Muitas vezes a delegacia nos chama à noite e infelizmente precisamos ir em dois para atender a demanda. Acontece que por exemplo, o colega que trabalhou noite passada, precisa ir com outro conselheiro na noite posterior. Hoje atendemos em dupla no plantão porque não temos o motorista e isso é desgastante”.
A solicitação já foi feita para a secretária de Assistência Social e primeira-dama, Maria Alice Aguiar e para o prefeito, disse Rosaninha, conselheira tutelar. “Nós somos um órgão que atua sozinho, mas temos uma ligação com a secretaria e levamos essa demanda por meio de ofício. Nunca fomos respondidos de forma oficial pela secretária e nem pelo prefeito Mariano”, afirmou.
Conselho Tutelar abandonado
Conforme os conselheiros, a secretária visitou o conselho uma vez em seis meses e o grupo nunca foi procurado pelo prefeito. “Nunca fomos se quer atendidos pelo prefeito de Araranguá. Já tentamos encontro, mas até o momento não tivemos encontro algum. Nunca fomos ouvidos”, afirmou Francine.
Outras demandas também são necessárias. Antes havia uma servidora que fazia a limpeza. “Recebemos uma sede abandonada. Antigamente tínhamos uma colaboradora diariamente, porém agora ela vem apenas uma vez por semana e permanece na Assistência Social onde já tem outra profissional lotada. Aqui recebemos muitas pessoas”, relatou a conselheira Sidnei.
Além disso, os conselheiros não contavam com uma estagiária para colaborar com as situações. “Foi uma luta para conseguirmos uma estagiária para ser recepcionista, tivemos que cobrar muito; antes cada conselheiro trabalhava um dia na porta. Estamos muito felizes com isso”, destacou Rosaninha.
“Não tem problema ficarmos na porta, porém essa não é nossa função e tendo uma pessoa na recepção isso é uma garantia de segurança. Quando chega um caso mais delicado, a estagiária nos passa o nome e vamos resolver a situação; isso garante que a pessoa não se indisponha. Se por exemplo, vem um caso delicado para atendermos, o cidadão pode se sentir na liberdade de nos agredir verbalmente”, pontuou Francine.
A situação do local é precária. “Temos diversos problemas estruturais, janelas danificadas, portas e isso é um risco para nós. Já pedimos melhorias, mas nada foi feito até agora. Queremos um pouco de atenção. Se nem o prefeito nos ouve, como a comunidade vai nos ouvir? Não tem um exemplo a ser seguido; ficamos constrangidos”, falaram os conselheiros.
Prefeitura se manifesta
Procurada, a secretária de Assistência Social Maria Alice Aguiar afirmou que sobre a ausência do motorista, esse assunto deveria ser tratado com o secretário de Planejamento e presidente do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (CMCA), Francisco Diello, que não atendeu a ligação da reportagem.
Quanto ao abandono citado pelos conselheiros a secretária afirma que todos os pedidos são atendidos. “Eu, sinceramente, não estou entendo o critério. Todas as solicitações que chegam eu dou o respaldo a nível administrativo. Todas os pedidos chegam através do coordenador e são feitos através de ofício e atendemos. Eles solicitaram crachás, uniformes e concedemos a eles, mesmo não sendo obrigação nossa. Disponibilizamos café, água, biscoitos. Tentamos suprir todas as demandas apresentadas. Essa gestão recebeu o carro com ar condicionado estragado e nós arrumamos, pediram uma secretária e disponibilizamos uma estagiária”, falou.
Sobre a Secretaria de Bem Estar Social dispor de duas servidoras para serviços gerais, Maria Alice afirma que não é verdade. “A servidora pediu exoneração do seu cargo e a limpeza é feita semanalmente. Eles são cinco adultos e podem recolher seus lixos e os outros serviços é feita por essa servidora que faz a limpeza”.
O prefeito Mariano Mazzuco, questionado sobre o não atendimento, disse que nunca chegou solicitação de reunião. “De forma alguma eu ia me opor de atender os conselheiros. Nessa gestão não chegou nenhuma demanda para encontro ou algo do tipo. Se tivesse chego, eu teria atendido”, disse.








