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Espécie rara de tartaruga desova em Balneário Gaivota

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Uma espécie rara de tartaruga, a tartaruga-de-couro (Dermochelys Coriácea) desviou sua rota e chegou em Balneário Gaivota bem na época da desova. A ONG Educamar Brasil foi contatada, assim como a equipe do Ceclimar RS, Projeto Tamar e a polícia ambiental, que estão monitorando o animal marinho com o objetivo de proteger os ninhos até o nascimento, que deverá ocorrer entre 35 e 60 dias. “Essas tartarugas que nascerem aqui, provavelmente após adultas, quando entrarem no período de reprodução, daqui 25 a 29 anos, voltarão para também desovarem”, garante a bióloga e presidente da Educamar, Suelen Santos.

A tartaruga-de-couro ou tartaruga gigante é a maior tartaruga marinha do mundo, podendo atingir 2m de comprimento e pesar até 700kg. A espécie, em extinção, está distribuída em águas tropicais e temperadas do oceano e sua reprodução ocorre a cada 2 a 3 anos, sendo que em cada ciclo reprodutivo podem desovar até 7 vezes, produzindo cerca de 100 ovos, sendo que destes, 70% atingem a vida oceânica. Os ambientalistas se surpreenderam, pois a área de desova geralmente está localizada no Litoral do Espírito Santo, onde a areia da praia possui temperatura mais elevada em relação ao solo catarinense. Este é um fato importante, que possibilita os filhotes terem chances maiores de sobrevivência após o período de incubação.

No ano passado três tartarugas de couro encalharam na região, porém já em óbito, e devido ao avançado estado de decomposição não foi possível determinar a causa das mortes. Com isso surge a preocupação com o aumento da incidência desses animais. Por sua vez, a desova é um fato raro, que pode estar atrelada a mudança climática pode estar afetando a temperatura do oceano e das areias da região. “Tudo isso pode estar fazendo com que estas tartarugas saiam do seu berçário natural e venham para cá. Ficamos felizes por elas escolherem a nossa região como novo berçário. Tudo mostra a importância do trabalho da Educamar para preservar o ambiente costeiro”, explica Suelen.

A Educamar Brasil iniciou seu trabalho de pesquisa e monitoramento de animais marinhos na região costeira em 2014. Atende, de forma voluntária, de Balneário Rincão a Passo de Torres e não possui sede própria. Quando existe a necessidade de atendimento específico os animais precisam ser deslocados até Laguna, onde está localizada a base do PMP (Projeto Monitoramento de Praia. “O deslocamento gera estresse ao animal e dificulta o tratamento. Vamos buscar aos novos gestores municipais a construção de uma base na nossa região para fazermos a estabilizações pertinentes aqui”, destaca a bióloga.

Hoje a ONG não possui vínculo com nenhum município e conta apenas com a parceria da Unesc, através do Museu de Zoologia, que realiza o estudo das carcaças. “Parcerias são bem vindas; precisamos nos fortalecer para ampliar nosso raio de atuação. Ressaltamos que a parceria com a comunidade também é importante, pois precisamos de apoio no cuidado com os animais encontrados na orla, principalmente no período de junho a novembro, quando leões marinhos, pinguins e outros animais seguem por esta região de migração”, afirma Suelen Santos.

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