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Futuro da juventude rural é debatido em seminário em Sombrio

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Os jovens do meio rural estão, mais do que nunca, buscando ampliar seu espaço. Eles querem acesso à cultura, à educação, a tecnologia e à renda, sem deixar, contudo, de valorizar a família e suas raízes no campo. Essas foram algumas das constatações extraídas do 2º Seminário Estadual da Juventude Rural, promovido pela Comissão de Agricultura e Política Rural da Assembleia Legislativa e pela Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira, nesta sexta-feira (8), no Parque das Águas, em Sombrio, com a presença de aproximadamente 250 jovens agricultores da região Sul de Santa Catarina.

O evento, que tem como meta discutir o futuro da agricultura nas mãos dos jovens, foi promovido em parceria com a Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc), Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Faesc). Prestigiaram o evento vereadores e técnicos da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina).

O presidente da Comissão de Agricultura e Política Rural, engenheiro agrônomo e deputado José Milton Scheffer (PP), proponente do evento, explicou que a proposta do seminário foi, para além de propagar o conhecimento, ouvir dos jovens os seus anseios, sua vontade e até mesmo seus sonhos, como forma de colher  sugestões para políticas públicas eficazes para a permanência dos jovens no meio rural. “Entendemos que muitas coisas na cidade estão mudando, mas a produção de alimentos é um campo socioeconômico que tem futuro e nós temos perdido, ao longo do tempo, muitos jovens que saem do meio rural e vão para as cidades, muitas vezes em desencontro com suas vocações. E hoje está provado que a agricultura é um meio, com o desenvolvimento das novas tecnologias, mais atrativo para os jovens, que pode significar novas oportunidades para eles.”

O deputado Fabiano da Luz (PT) enfatizou a importância do seminário, atraindo vários jovens da região sul catarinense, tendo como foco o tema muito debatido na Comissão da Agricultura e Política Rural que é a presença dos jovens no campo. “O jovem agricultor deve perceber a oportunidade que tem de investir na sua propriedade, na sua terra, na produção de alimentos, porque você até pode deixar de comprar um calçado, uma roupa, mas jamais deixará de comprar comida, jamais deixará de se alimentar. A terra é uma só enquanto a população cresce, isso significa que o consumo de alimentos vai crescer, mas a produção de alimento vai ter acontecer na mesma terra, porque nós só temos um planeta. Então, que o jovem saiba que ele tem uma grande oportunidade nas mãos, que o alimento vai ser cada vez mais valioso e é ele que vai produzir e se beneficiar com tudo isso.”

Sucessão familiar

A estudante de engenharia agronômica do Instituto Federal Catarinense Juliana Claudino Mateus, 24, filha de agricultores de Jacinto Machado, disse que o pequeno agricultor busca aumentar a lucratividade e tecnificar a sua propriedade,  incluindo o jovem neste objetivo, pensando na sucessão familiar. “O seminário nos ajudou a aumentar o nosso conhecimento, amplificar técnicas, trazendo um novo olhar, tendo como meta inserir mais os jovens na sucessão familiar, para que jovem queira estar e consiga desenvolver o seu planejamento dentro da propriedade, junto com a família e para que ele não abandone a propriedade.”

Investimentos em tecnologias

O engenheiro agrônomo Ainor Francisco Lotério falou da importância do cooperativismo e do futuro da agricultura familiar, principalmente em Santa Catarina, abordando a integração dos jovens com suas famílias. “A agricultura precisa ter verdadeiro sucessores, mais do que herdeiros legatários, aqueles que passem a frente o bastão do desenvolvimento da agricultura, com a geração de mais renda e mais felicidade no campo.”

Ele observou que a sociedade exerce atualmente muita influência para que os jovens saiam do meio rural, por meio de sons e imagens. “Então, todo o esforço que fazemos para os jovens ficarem no campo é comparado com ofertas e atrativos de outros meios. Não basta apenas aumentar a renda, mas é preciso sim mais renda, conforto, acordo e diálogo intergeracional nas famílias, para que os jovens se sintam dentro do planejamento familiar, da organização e da ação rural, sobretudo para que ele possa se capacitar, celebrar esse resultado do campo, transformando-se em líder de cooperativismo, de associações, e adotando esse mundo novo de tecnologia dentro de suas propriedades.”

Ex-secretário da Agricultura e da Pesca, o engenheiro agrônomo Airton Spies destacou as inovações tecnológicas na agricultura e pecuária, que estão mudando a forma de produzir no agronegócio, principalmente aquelas tecnologias que vão transformar a produção e a forma de trabalho dos produtores rurais e também dos demais elos da cadeia produtiva. Para Spies, a agricultura está passando por uma fase de modernização, com surgimento de muitas tecnologias na agricultura e pecuária de precisão, que bem utilizadas aumentam a produtividade, diminuem os custos de produção, melhoram a qualidade dos produtos e, principalmente, aumentam a rentabilidade do agronegócio. “Quem fizer o uso dessas tecnologias vai ficar em cima da esteira que está sempre se movimentando. Por isso, é importante o jovem saber o que vai ocorrer, como ele pode enxergar o futuro na própria propriedade rural, como um empreendedor do campo”, disse.

Spies observou que há muitos atrativos para tirar os jovens da área rural, mas reforçou que a agricultura está se constituindo num formato de empreendedorismo que exigirá muita competência na gestão, porque é um lugar onde as pessoas investem dinheiro para ganhar dinheiro, que precisa de muita conexão com o mercado e de muito profissionalismo. “Acabou o tempo dos amadores no campo. Hoje a agricultura é coisa de profissional, e isso vai mudar muito a forma como a sociedade urbana vê o setor. Para o jovem ficar no campo é necessário mais renda, ter competência, capacidade de fazer mais com menos, ter infraestrutura no campo, e isso é um dever do poder público, levando estradas de qualidade, internet, energia elétrica de qualidade, e tudo isso está mudando, mas há lugares ainda, com diferenças grandes entre o meio urbano e a área rural. O jovem agricultor também quer ter acesso às redes sociais e o campo precisa ter acesso essa tecnologia.”

O deputado José Milton Scheffer informou que a meta da Comissão da Agricultura e Política Rural é promover mais seminários com o mesmo objetivo anualmente e que o evento de 2020 já está em planejamento.

Fonte: Assessoria de Imprensa

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