Segurança
Mulher que matou marido em 2013 vai a júri popular pela 2ª vez e é condenada
Sentou no banco dos réus no Fórum de Araranguá nesta quarta-feira, dia 25, Maria Solange Goularte Mendonça, acusada de matar o marido Agostinho Mendonça, de 60 anos na época, por asfixia. O crime ocorreu na madrugada do dia 07 de abril de 2013 na casa do casal localizada na localidade de Barra Velha, em Araranguá, quando a mulher golpeou o marido na cabeça com um cassetete de madeira e após ele desmaiar, cobriu a cabeça do homem com uma lona plástica, amarrando parte no pescoço e enrolando o corpo. Depois o colocou debaixo da cama do quarto do casal, vindo a vítima a morrer por asfixia.
Segundo o Ministério Público, Solange foi a júri popular 05 de novembro de 2015, sendo naquela data absolvida pela maioria dos jurados. Contudo, o MP recorreu entendendo que havia uma nulidade no julgamento, pois foi exibida uma prova que havia sido juntada pela defesa, sema devida intimação do Ministério Público. O Tribunal acolheu a apelação anulando o julgamento e marcando uma nova data.
Depois de mais de seis anos, pela segunda vez, Solange foi a júri popular. Hoje, pela maioria dos jurados, a ré foi condenada a 8 anos de reclusão em regime semiaberto pelo crime de homicídio qualificado. Cabe recurso da decisão e Solange aguarda em liberdade.
Os jurados reconheceram o privilégio por ela ter cometido o crime sob domínio de violenta emoção logo após injusta provocação da vítima, consistente em ameaças e atos de violência doméstica que a ré havia sofrido.
Relembre o crime
Um homicídio chocou moradores da pacata localidade de Barra Velha, interior do município de Araranguá na manhã do domingo, 07 de abril de 2013. Por volta das 11h25min a Polícia Militar de Maracajá foi acionada sobre um homicídio onde a esposa havia matado o marido. Quando nossa equipe de reportagem chegou ao local, já por volta do meio dia, Maria Solange Goularte Mendonça aparentava estar calma, sob efeito de alguma medicação. Ela estava detida sentada na cadeira da cozinha.
Na época, de acordo com o então Cabo J. Fernando, quando a guarnição chegou no local viu o corpo de Augustinho Mendonça de 60 anos enrolado em uma lona preta, debaixo da cama do quarto do casal. “Os Bombeiros de Içara foram acionados, mas a vítima já estava sem os sinais vitais. Quando chegamos isolamos a área e detivemos a suspeita”.
Quando o delegado plantonista Diego de Haro chegou no local do homicídio juntamente com um agente da polícia civil da DIC de Araranguá, Instituto Médico Legal e Instituto Geral de Perícias, foram até o quarto onde o corpo estava enrolado na lona preta. Ao desenrolar o corpo viram que a vítima estava de bruços e com um saco de lixo amarrado na cabeça com um barbante e um pano. Quando o saco foi retirado ficou constatado que Augustinho teve parte da orelha esquerda mutilada, havia muito sangue e o técnico do IML verificou que algo havia sido desferido na cabeça, pois apresentava afundamentos no crânio.
Solange contou informalmente na cena do crime para os policiais e para o delegado Diego, que o esposo chegou em casa alcoolizado e durante uma discussão ela o empurrou, momento em que bateu com a cabeça. “Ele veio machucado da rua nesta madrugada e estava alterado. Nós discutimos e eu empurrei ele, foi quando bateu a cabeça e caiu. Nesse momento eu fechei a porta do quarto e quando vi que ele não estava mais fazendo barulho, entrei e vi que ele estava tossindo sangue, foi então que coloquei na cabeça dele o saco de lixo para que ele não sujasse a casa de sangue. Como eu tenho um filho deficiente e que quando acorda a primeira coisa que ele faz é chamar pelo meu marido, busquei nos fundos de casa a lona e escondi o corpo debaixo da cama para que meu filho não o visse naquele estado”, declarou a acusada na época.
Os policiais percorreram todos os cômodos da casa atrás do objeto usado para agredir Augustinho na cabeça, sendo que ao lado do tanque foi encontrado um bastão de madeira.
Solange e Augustinho eram primos irmãos e estavam casados há quase seis anos. Ela foi presa em flagrante e levada para a Central de Polícia. Mais uma vez informalmente contou a mesma versão dada quando da chegada da polícia, porém durante o depoimento se reservou ao direito de permanecer calada.






