Geral
Páscoa passará quase “em branco”, afirma o presidente da CDL de Araranguá
Reportagem especial traz o drama vivido por famílias e comerciantes nesta época de Coronavírus. Psicóloga dá dicas de enfrentamento ao isolamento social
A Páscoa para os cristãos é sinônimo de ressurreição. Para aqueles que seguem uma doutrina religiosa, a data significa a passagem da morte para a vida, a partir de Jesus Cristo. Entretanto, o que era para ser um dia para rever a família e de comemoração, com o passar dos anos, se tornou uma data também comercial, estando hoje entre uma das principais do comércio varejista e supermercadistas.
Porém, essa data não será tão boa como nos últimos anos. O motivo? O Coronavírus, que atinge mais de um milhão de pessoas em todo o mundo. Um exemplo disso é a família de Jéssica Medeiros, de Araranguá, mãe de quatro crianças. Todos os anos ela aproveitava a data para comemorar junto da família. “Eu tenho quatro filhos, um de 12, outro de nove, uma de cinco e outra de três anos e estou grávida de sete meses. Eu sempre vivi esse dia, inclusive ano passado fiz um almoço, trocamos lembranças. Uma verdadeira celebração”, relata.
Este ano, tudo está cancelado, lamenta a mãe. “Eu sou autônoma, mas há algum tempo estou parada pois a minha gravidez tem complicações e mesmo se pudesse, hoje estaria impedida de trabalhar. As minhas crianças me perguntam se o coelhinho vai chegar, infelizmente não tenho o que dizer para elas”, conta.
Não é só a Jéssica que não terá a ‘celebração da Páscoa’, muitas outras famílias também terão dificuldade para comemorar. Boa parte das empresas estão fechadas e trabalhadores estão sem salário e comerciantes sem lucro.
Mesmo que o comércio local nos próximos dias abra, a retomada da economia deverá ser gradativa e a Páscoa, passará quase “em branco”, afirma o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), de Araranguá, Everaldo João. “A nossa expectativa para o dia da Páscoa não é boa. Mesmo que o comércio abra no começo ou no meio da semana, o que é pouco provável, estará muito abalado pois as pessoas não terão interesse em comprar qualquer lembrança para a data”.
Everaldo destaca que a situação é delicada. “O comércio fechado neste período é algo complicado e garanto que isso já impactou muito a economia. A Páscoa é uma data importante, todos receberam produtos e se preparam e esse fator inesperado abalou todos os empresários, do pequeno ao grande. A ‘safra’ do comércio no começo do ano, a Páscoa, não será positiva”, frisa.
Já os supermercados estão com expectativa positiva ainda, detalha o vice- presidente da Associação Catarinense de Supermercadistas (Acats), Nazareno Alves. “Tudo está transcorrendo normalmente. Não temos desabastecimento e as vendas estão dentro da normalidade. O que temos são restrições de acesso às lojas por conta do cumprimento de protocolos do Ministério da Saúde e redução do número de colaboradores por conta de determinação do Ministério do trabalho. Continuamos firmes na higienização e segurança de nossos profissionais e clientes”.
E como fica o psicológico?
O isolamento proposto pelo Governo de Santa Catarina iniciou no dia 17 de março e desde então crianças estão sem aulas e a tradição de rever avós, tios, padrinhos, não deve acontecer por precaução, o que abala psicologicamente as famílias e as crianças. Segundo a psicóloga araranguaense, Indianara de Freitas, as tradições fazem parte da história humana. “Fica claro que as tradições se mantém, mas se renovam. A data da Páscoa é vivenciada pelas famílias. Cada lar atribui seu significado e importância vai de acordo com as memórias afetivas repassadas a cada geração. Porém, é relevante considerar que através de tradições como a Páscoa constroem-se memórias afetivas para a vida do ser humano”.
Para as crianças a Páscoa ‘sem Páscoa’ de 2020, é algo real.
“A criança é envolvida na preparação em pintar cascas de ovos para realizar a tradicional caça aos ovos ou em outras formas de vivenciar esta data. Datas comemorativas sempre constroem boas lembranças na infância, essa que normalmente já é herdada”.
A psicóloga dá dicas para que o momento turbulento não afete tanto os lares. “Busquem criar esses momentos com as crianças em suas casas, de construção de memórias afetivas, através de desenhos, histórias, pinturas, deixando um pouco de lado o consumismo dos ovos prontos para criarem suas próprios ovos de chocolate, cascas de ovos pintadas com surpresa dentro, cestas feitas pelas crianças, pais e demais familiares”.
E as Igrejas?
Como citado no início da matéria a Páscoa é a ressurreição de Jesus Cristo. Todavia, as celebrações podem acontecer sem a presença do povo. Igrejas, como o Santuário Nossa Senhora Mãe dos Homens transmitirão a Missa da Páscoa ao vivo pelas redes sociais. Além da Igreja Católica, outras denominações transmitirão a festa da ressurreição. “As famílias que possuem suas tradições religiosas também podem buscar viver uma Páscoa diferente, fortalecendo o convívio em família”, conclui a psicóloga.






