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Araranguá: falta de atenção ao setor de bem-estar animal gera afastamento de servidora
Flávia Cândido pediu afastamento da função, fato que gerou revolta em protetores animais. Após mais de 60 dias de governo nenhuma castração foi realizada em Araranguá
O governo de César Cesa, do MDB, se vê em mais uma polêmica em pouco mais de 60 dias de mandato. Após ausência dos vereadores em sessão que seria votado o índice de reajuste, que resultou no aumento de impostos em quase 25% , e após se negar em manter as bolsas de estudo de 79 alunos em situação de vulnerabilidade, o assunto que agora ronda e repercute dentro do paço municipal é a questão do bem-estar animal.
Nesta sexta-feira (12), uma protetora animal publicou em suas redes sociais um vídeo em que as casas destinadas para cães de rua – que ficavam no na Avenida Coronel João Fernandes, no Centro – estavam sendo levadas em um caminhão de entulho, para segundo ela, serem descartadas.
Tal ação gerou comoção e muita indignação por parte dos protetores animais de Araranguá. O fato, que parece tão simples, tomou proporção e fez com que Flávia Cândido, responsável pelo setor de Bem-Estar Animal da Fundação Ambiental do Município de Araranguá (FAMA) solicitasse seu afastamento da função que exercia há oito anos para retornar ao cargo de enfermeira na Secretaria Municipal de Saúde de Araranguá.
Conforme informações, a saída de Flávia se deu por conta da retirada das casas para os cães e pela falta de pagamento de horas extras, já que atuava no setor em feriados e finais de semana. Em suas redes sociais, a profissional informou o seu desligamento. “Aos meus amigos, parceiros e colegas de trabalho, gostaria de informar a todos, que na data de hoje (12 de março de 2021), solicitei minha remoção das funções do setor de Bem-Estar Animal. Meu profundo agradecimento a todos parceiros, voluntários e amigos, que durante esses últimos anos se dedicaram a causa animal em nossa cidade. No entanto, fiquem tranquilos, pois continuarei me dedicando aos nossos peludos, só que agora como voluntária”, disse.
A protetora animal, Grazi Freitas disse que a responsável pelo setor animal não foi ouvida pela administração. “A Flávia não teve voz, chegaram a dizer que qualquer um faria o que ela faz. Nós não queremos que ela saia, queremos que ela permaneça na função e seja respeitada”, enfatizou.
Quanto às casas dos cães, a protetora alega que elas iriam sim para o lixo. “Eu recebi o vídeo, publiquei, e os que protegem os animais ficaram todos revoltados. Causou repercussão e a prefeitura falou que as casas, que estavam em meio aos galhos em um caminhão de descarte, foram para higienização e que também aconteceria a mudança de local, pois os animais estavam sendo atropelados, sendo que não temos nenhum de registro desse tipo”, disse.
Conforme a protetora animal, até o momento não foram realizados nenhum mutirão de castração e não existe atendimento emergencial. “Eu não ganho um quilo de ração da prefeitura. Eles querem colocar no lugar da Flávia alguém que os obedeça e que aceite 50 castrações por mês, pois é o que querem. Na gestão passada eram 200 castrações”, pontuou.
As casinhas foram coladas na esquina da Praça Hercílio Luz, em frente ao Museu Municipal.
Uma manifestação pública dos protetores animais está marcada para segunda-feira (15), em frente à Câmara de Vereadores de Araranguá.
Equipe do governo não atende ligações
Entramos em contato com o prefeito de Araranguá, César Cesa, que não atendeu nossas ligações, bem como o secretário de Administração Rony da Silva, que também não nos atendeu para explicar sobre a situação do afastamento de Flávia, se havia ou não atrasos em horas extras e qual o real motivo da retirada das casas da área central.








