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Quando a desunião faz a desgraça: entenda a polêmica e porque o Hospital Regional de Araranguá perdeu 20 novos leitos de UTI e a referência exclusiva para Covid-19
Você já deve ter ouvido a expressão a união faz a força. O contrário disso significa certamente que a desunião faz a desgraça.
A frase que abre está análise cai como uma luva para ilustrar o episódio sobre a polêmica envolvendo a perda dos 20 novos leitos de UTI para o Hospital Regional de Araranguá. Nas últimas semanas, nas redes sociais, muito foi dito sobre o assunto e pouco se mostrou de fato.
Autoridades políticas, gestores de saúde, secretários municipais, prefeitos e deputados se pronunciaram sobre o assunto que veio à tona pelo presidente do Instituto Maria Schmitt através das redes sociais. Em uma publicação Ricardo Ghelere lamentou a desunião na área da Saúde na região. “Governo do Estado ofereceu mais 20 leitos de UTI para o Hospital Regional e iria transferir alguns serviços para o Hospital de Sombrio. Acontece que alguns secretários de Saúde não aceitaram que o HRA fosse referência exclusiva para COVID e a região perdeu os 20 leitos de UTI”, relatou nas redes sociais.
Entendendo os fatos
Em 1º de abril deste ano, (por ironia ou não, o dia da mentira) o HRA foi considerado pela Secretaria de Estado da Saúde, através da Superintendência de Serviços Especializados e Regulação – com intuito de normalizar o fluxo de regulação – Unidade de Referência Exclusiva da Macro região Sul para casos de Covid-19. Na época o Estado determinou também que os casos de cirurgia geral, cirurgia de ortopedia e traumatologia de urgência, bem como outros agravos clínicos, com critérios de internação, fossem remanejados para o Hospital Dom Joaquim em Sombrio, que possui capacidade de absorver esta demanda, conforme ofício datado de 31 de março de 2020.
Acontece que a secretaria de estado da Saúde voltou atrás e reconsiderou a decisão estabelecendo que o Hospital Regional de Araranguá retornasse à condição anterior de Unidade de Referência Não Exclusiva da Região do Extremo-Sul Catarinense para o atendimento de adultos acometidos pela COVID-19. Na justificativa, a secretaria da Saúde alegou dificuldades encontradas na rede hospitalar da região para absorver os pacientes acometidos por outros agravos clínicos, cirúrgicos gerais e cirúrgicos de ortopedia e traumatologia de urgência e com isso, o Hospital Regional de Araranguá perdeu a chance de receber 20 novos leitos de UTI e o Hospital Dom Joaquim perdeu os serviços.
Mas o que provocou esta decisão? O que fez o Governo do Estado voltar atrás? No desabafo de Ricardo Ghelere, a falta de união de alguns secretários municipais de Saúde que foram contrários a decisão de transferir os serviços para o Hospital Dom Joaquim em Sombrio corroborou para isso. Uma reunião realizada na semana passada entre os secretários de saúde com a superintendência do Estado teria sido o estopim para a decisão. No encontro os representantes de Araranguá, Meleiro, Turvo, Praia Grande e Jacinto Machado discordaram, pois queriam também receber serviços em seus hospitais. A falta de união dos gestores acabou culminando com a mudança de planos.
E agora, como fica?
Logo após a polêmica os secretários municipais da região se pronunciaram. Em nota enviada à imprensa, a Comissão Intergestores Regional (CIR) da Região de Saúde do Extremo Sul Catarinense esclareceu que a comissão não está habilitada para deliberar a instalação de novos leitos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional Deputado Afonso Guizzo (HRA), de Araranguá. A nota basicamente não disse nada. De fato, a pergunta para qual a população espera uma resposta é porque logo após uma reunião onde os ânimos foram quentes e os debates acalorados, o Governo do Estado voltou atrás e tirou os 20 leitos de UTI do HRA?
Outras perguntas ainda aguardam respostas: a reunião conflitosa dos gestores da Amesc serviu para mostrar as “fragilidades” e a falta de estrutura alegada pela Superintendência de Serviços Especializados e Regulação?
Os secretários se opuseram de fato, para que os serviços fossem realizados no Hospital Dom Joaquim?
Quais são as dificuldades encontradas na rede hospitalar do Extremo-Sul Catarinense para absorver os pacientes acometidos por outros agravos clínicos, cirúrgicos gerais e cirúrgicos de ortopedia e traumatologia de urgência? Eu até tentei buscar respostas junto à Elixsandra da Silva Mota, Secretária de Saúde de Meleiro e Coordenadora da Comissão Intergestores Regional – CIR, no entanto até o momento continuo sem respostas.
Difícil é entender que em um momento de pandemia como este, quem deveria dar bons exemplos neste sentido, demonstra um olhar míope sobre o assunto. Quem perde? Certamente o Extremo-Sul de Santa Catarina que mais uma vez fica relegado a segundo plano pelo Governo do Estado. Perdemos todos nós que dependemos de uma saúde de qualidade e digna.
Prefeitos se mobilizam e deputado interfere por 10 leitos de UTI
Certamente o assunto continuará rendendo muito “pano pra manga”. Depois da tempestade, o que se espera é a bonança, mas ao que se vê no “andar da carruagem” é que nem tudo serão flores, pelo menos neste caso.
Os prefeitos se uniram para correr atrás do prejuízo e enviaram ofício ao Governador Carlos Moisés da Silva e ao Secretário Helton Zeferino solicitando a instalação de 10 novos leitos de UTI. (Cabe lembrar que o HRA possui apenas 10 leitos de UTI adulto). O deputado Rodrigo Minotto através de sua assessoria em Araranguá disse que também interveio solicitando 10 novos leitos. Há inclusive a promessa de Minotto de que a ampliação se concretize nos próximos dias.
No frigir dos ovos, por ora o que se vê são apenas discursos políticos dissonantes, pois de concreto até agora só existe a confirmação por parte do Governo do Estado que o HRA não é mais referência exclusiva para atendimentos de Covid-19 e por isso não receberá mais os 20 leitos previstos. Mesmo que se confirme nos próximos dias a instalação de 10 novos leitos, a região amarga o prejuízo de 50% do total antes informado. É o típico caso onde a desunião faz a desgraça! Lamentável.






