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SPDM não tem previsão de pagamento para funcionários do HRA
Com salários em atraso, funcionários continuam sem saber quando irão receber e em greve
Na tarde desta sexta-feira, dia 15, Mário Monteiro, superintendente do Programa de Atenção Integral à Saúde da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), entidade que administra o Hospital Regional de Araranguá (HRA), esteve na unidade hospitalar, em Araranguá.

Desde o último sábado, dia 9, os funcionários do HRA estão em greve, por atraso no pagamento dos salários. Monteiro conversou com representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Saúde de Criciúma e Região (Sindisaúde) e não repassou previsão de pagamento dos salários em atraso dos servidores. A informação foi repassada aos funcionários, que estavam no pátio do HRA e um grupo resolveu ir até a administração conversar com o superintendente e foi barrado por seguranças na porta do setor administrativo. A Polícia Militar foi acionada e compareceu no hospital, com cinco viaturas.

O superintendente alega que o atraso no pagamento dos salários dos funcionários do HRA só poderá ser solucionado se o Estado de Santa Catarina antecipar parte do pagamento do próximo mês à SPDM. “O Estado, no mês passado, já fez uma antecipação do pagamento do mês seguinte, justamente para a gente não ter a eclosão desta situação. É uma situação que poderia ser repetida neste mês novamente, para a gente evitar a continuidade deste processo de degradação do hospital”, disse.
A situação do HRA está crítica. De acordo com Monteiro, o hospital tem uma dívida de cerca de R$ 5 milhões e o Estado tem ciência do déficit, segundo ele faltam insumos básicos na unidade, como medicamentos. O superintendente também revelou que o HRA está hoje com apenas 34 pacientes internados e que não há condições de receber mais pacientes, pois eles podem correr o risco de morrer, por falta de medicamento. “A situação se agravou ainda mais com a greve”, afirmou. O secretário de Estado da Saúde, Vicente Caropreso, já noticiou amplamente na mídia de que não tem dívida com a SPDM.

Enquanto a situação não se resolve, funcionários e população sofrem. O auxiliar de Farmácia Simon Luz e a esposa Nazaré Cardoso, auxiliar de recepção trabalham no HRA, o sustento dos dois e da filha de três anos, depende do unicamente do hospital. “Nossa única renda vem do Hospital Regional, a gente paga prestação da casa, que adquirimos através do Programa Minha Casa Minha Vida e estou com ela atrasada. Que tipo de explicação eu vou dar para a Caixa Econômica Federal? Eu já tive que pedir dinheiro emprestado para a gasolina, para a comida e para o leite da minha filha que faltou hoje”, lamentou Simon.

A greve no HRA continua, por tempo indeterminado e os funcionários, apesar de desmotivados, estão mantendo escala de serviços, para não faltar atendimento à população. “Vamos manter uma escala mínima de serviço, para que a população seja atendida e não haja descontinuidade total de trabalho”, falou João Batista Estevan, presidente do Sindisaúde.







